Dorival e Dori mostram a Sérgio o que é que os baianos tem.

entrevistado por

Sérgio Lima e
Luiz Roberto Oliveira

 

Digitação do texto:
Priscilla Bueno / Sonia Mello

 


INTRODUÇÃO




 



Domingo em Copacabana

        Por trás dos bigodes hirsutos, o semblante sério, carrancudo às vezes, não consegue esconder a pessoa afável, carinhosa e comunicativa que é Dori Caymmi.

        Depois de persegui-lo em S. Paulo durante um mês - Dori tinha shows à noite, escrevia arranjos de dia, descansava de tarde, e no fim uma gripe obrigava-o a poupar a voz - conseguimos, afinal, que ele nos recebesse no Rio, antes de voltar para Los Angeles, onde mora.

        Num domingo, 22 de junho de 1997, Sergio Lima e eu almoçamos no Rio e fomos em seguida para o apartamento em Copacabana onde seria feita a entrevista. O próprio Dori nos recebeu à porta, e com um gesto largo apontando na direção da sala, nos proporcionou a primeira surpresa daquele encontro: “Este é meu pai.”

        Poderia ser confundido com um homem qualquer, sentado naquele sofá, a roupa clara, o sorriso doce, numa tarde de domingo em Copacabana, olhando para os recém-chegados com simpatia, pondo-se de pé para nos cumprimentar. Dorival Caymmi, presença emocionante, a fala mansa, não só ficou conosco na sala durante toda a entrevista, como também participou dela, contando casos, esclarecendo detalhes, nos encantando e iluminando a todos do alto de sua simplicidade.

 

 

        Dori, assim como seus irmãos Nana e Danilo, herdou do pai a musicalidade e a voz. Você vai ver, durante a entrevista, que Dori não costuma designar as músicas pelo nome: muitas vezes ele prefere cantar um trecho delas: "...e o Tom fez aquela música assim: lá-lá-da-iá..."
E Sérgio e eu curtíamos a tarefa de ficar agarrando no gol, lembrando de nomes e detalhes.

Luiz Roberto Oliveira
28.junho.97

No capítulo I:
Dori conta como conheceu Tom
e fala de João Gilberto 


Home Page em portuguêsHome Page in English