O Tom das coisas

Orlando Bona Filho
Porto Alegre, RS, 17.abril.98

Me digam: quem consegue ir ao piano, dedilhar um violão, tomar um uísque sem que imediatamente ele esteja presente?

Outro dia, mostrando uma música a um amigo, ele perguntou se a melodia não ficaria melhor em tom menor. Respondi: para ficar melhor mesmo, só em Tom Jobim.

Não adianta, Tom está em tudo, assim como os tons... Tom e os tons, ou ficaria melhor Tom é os tons?

Minha vida é pautada por tentar estar o mais próximo possível desta figura maravilhosa, gente como a gente, genial como só ele.
Tom está nas pequenas coisas: no vidro de Maracugina, no canivete suíço, no chapéu Panamá, no Jereba, no charuto, no céu. Chego a desconfiar que os Deuses já não suportavam nosso privilégio de estarmos com a exclusividade da presença do Tom. Resultado: levaram-no para junto deles e nos deixaram sua obra. Tudo bem, a poesia, a música, os ensinamentos do Tom ficaram. Mas que foi egoísmo, isso foi.

Mas agora Tom também está traduzido em bytes. E este é um privilégio a que só os mortais têm acesso.
Aqui para os Deuses!

Nós temos a melhor página sobre o melhor, o maior de todos os Deuses da nossa música popular. E mais: nela estão os amigos dele, a família dele e os amantes da sua obra. Nela estamos nós.

E este privilégio os Deuses não podem nos roubar.

 

  Orlando Bona Filho é publicitário (criação), cronista, músico amador, e mora em Porto Alegre, RS.

 

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