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Tom Jobim disse que nunca será um Gershwin ou um Cole Porter por aqui, porque no Brasil ter sucesso é ofensa pessoal. Apesar de ele não ser unanimemente respeitado, eu acho que conhecê-lo e conhecer a sua obra é ter um pouco mais de confiança no ser humano. É ter esperança na vida. Ele não tem nacionalidade. Sua música prova que é brasileiro até o dedão do pé. Tem mato, tem passarinho, tem mar, tem sol, tem amor. Mas, tem mais que isso, vai mais longe. Se tivesse nascido na Austrália, lugar distante, indefinido e cheio de cangurus faria a mesma música comovente que faz. |
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| Nossa entrevista começou quando eu tinha quatorze anos. Eu escutava e chorava o seu disco de capa branca. Editado pela elenco, produzido por Aluísio de Oliveira, arranjado por Claus Ogerman. O mesmo disco que Fafá de Belém escutava na sua adolescência no Pará. Sempre que alguém tem paixão por Tom Jobim se refere a esse disco de capa branca. Calculo que algum colecionador convicto possa ter um. Nessa época eu estudava interna no Colégio Americano em Porto Alegre. Os fins de semana passava na casa do meu tio Nilo, no morro Santa Teresa. Punha o disco na eletrola (como se dizia na época), olhava o sol afundando no rio Guaíba e chorava crepuscularmente. Não sei explicar como a mesma menina que assistia Rin-tin-tin na televisão, domingo à tarde, antes de voltar para o internato, podia chorar tanto ao escutar a música desse homem. E mais tarde, quase-mulher, chorosa ainda me comovi muito quando comprei o segundo elepê: Caymmi visita Tom. A faixa Saudades da Bahia praticamente furou, enquanto as lágrimas rolaram compulsivamente. Se existisse vídeo-livro, vocês iam ver os meus olhos inchados, vermelhos, até hoje. Além da música outra coisa me atraía nele, eu o via como um galã. Eta homem bonito, charmoso! Que inveja eu tive da mulher dele Teresa Hermanny. Que ciúmes eu senti quando ele se apaixonou pela atriz Milène Demongeot e estava prestes a morar com ela na França. Como eu queria que ele fizesse uma música para mim, como fez para Lígia e Ana Luiza. Quem serão essas musas que eu invejo tanto? Muitos anos depois estou entediada vendo a mpb 80, quando anunciam a presença de Tom Jobim. Daí foi demais, me espertei, empertiguei e vi. Ele no piano, cantando e tocando. Mais velho, mais frágil (mais forte também) fazendo o que ele sabe fazer. Coisa mais linda. A seguir os intervalos comerciais e depois a reunião de dois grandes nomes da Música Popular Brasileira: Tom Jobim e Dorival Caymmi. Acompanhados dos seus filhos. Eu que já estava com os olhos marejados desandei a soluçar quando os seis cantaram juntos Saudades da Bahia. Que bonito escutar aqueles dois senhores, com a filharada afinada em volta. Essas coisas, por alguns momentos, fazem a gente achar a vida mais amena. Minha paixão chegou a um ponto máximo e eu pensei - vou para o Rio de Janeiro entrevistar esse homem. Liguei o DDD interurbano receosa, afinal já sabia de algumas histórias dele. Sabia que Jards Macalé pediu para ser recebido para conversarem. Tom se trancafiou, passou travas e ferrolhos, não estava a fim de prosear. No Jardim Botânico se escutavam os gritos de Macalé, ofendido, ultrajado. Coisas do coração. E se ele não quisesse me conhecer, saber de mim, falar comigo? O livro iria por água abaixo porque ele era o principal entrevistado. Chego a pensar se este livro todo não foi um pretexto para conhecer Tom Jobim. | ||
| No telefone o papo correu frouxo. Eu me apresentei e fui muito bem recebida. Mas, um medo me aporrinhava: e se quando eu chegar no Rio, ele mudar de idéia e puxar o carro para o sítio? Por isso expliquei de antemão que, para mim, ir ao Rio de Janeiro era a mesma coisa que ir para a Patagônia. Para mim havia uma grande distância. Havia o mar. Não sei fazer o gênero executivo-áereo. Os que saem de manhã e voltam à tarde. Ele disse que compreendia e que me aguardava. No avião fui cheia de expectativa, com suor escorrendo das mãos. Será que ele é bonito, excepcional? Será que eu vou me decepcionar e encontrar apenas um músico-mandrake, tipo sibemol? Tive coragem suficiente para embarcar e desembarcar, me hospedar na casa de Glória e Pepe Fajardo e, pontualmente, ao meio dia de uma terça feira cheia de sol e de gente na praia, ligar. Fui bem tratada mais uma vez, mas ele me avisou que iria atrasar para o almoço que tínhamos combinado. Havia uma carta nos separando. Escrita em inglês, era demorada. Depois disso ele iria à PUC e depois ao correio. Me ofereci para fazer essas baldeações todas com ele. Escutei um não bem objetivo do Maestro. Depois ele me buscaria. Mais tarde eu soube que a carta versava sobre cláusulas do seu testamento. Digo versava porque achei o texto altamente poético. Os seus advogados, nos Estados Unidos, "Silva & Silva", precisavam entender a importância das pessoas beneficiadas com a sua morte. Isso tinha que ser respeitado. Primeira pessoa Teresa Hermanny. Segunda e terceira, os filhos desse casamento. Quarta pessoa, sua segunda mulher Ana Lontra. Quinta pessoa, João, filho desse casamento, já que foi o último a entrar em cena. Essa é a ordem certa do seu testamento porque foi assim que essas pessoas entraram na sua vida. | ||
| Tomei umas Brahmas para agüentar a expectativa e finalmente fui avisada de que ele estava a caminho. Disse que esperaria lá embaixo e ele tentou descrever a cor do carro em que viria me buscar. Era um Dodge cinza mais para o grafite, sem deixar de ser cinza. Como ele nunca tinha me visto antes, disse que estaria na Atlântica esquina com Bolívar e que não seria difícil me reconhecer. Como estávamos na orla marítima e gosto de me vestir a caráter, estaria tipo marinheiro estilizado. Calça vermelha de marinheiro, camiseta de listras vermelhas e brancas de marinheiro. Sem o gorro. Sorrindo, suponho, ele desligou. Nisso vejo o Dodge cinza com o homem moreno de camisa aberta no peito, estilo carioca, perfume almiscarado, melado. Nunca mais vou deixar de reconhecer esse cheiro. Não perguntei o nome. Embarquei no veículo, atenta, desperta, lúcida, desvendando as coisas do carro e seu dono. Calça branca, sandália branca (argh!), camisa amarela, bolsa a tiracolo de couro cru. Chico Buarque de Hollanda disse que a deselegância de Tom Jobim lhe dá forças para continuar se vestindo mal. Levei, as a souvenir, um passarinho de madeira feito na Barra do Una. Não sei se ele gostou como eu pretendia ou se encarou como uma insistência da minha parte. No banco de trás, roupas, livros, coisas avulsas espalhadas em desordem. Fomos a uma peixaria no fim da praia de Copacabana, em frente ao mar. Acho que chamava "Rex", mas não tenho certeza do nome não. Afinal não é todo dia que tomo cerveja gelada com Tom Jobim. Ele me perguntou se eu iria gravar a nossa conversa e respondi que não. Tenho pavor de eletrônica em geral, de gravador à batedeira de bolo. Tudo que exige precisão absoluta, não encontra em mim a coordenação adequada. Uma vez fui entrevistar uma pianista, depois do nosso papo ela foi para o piano tocar uma seleção de Eddie Duchin. Iniciaria no piano e lá pelas tantas entraria o baixo, já programado no órgão Yamaha, cheio de japonesinhos de prontidão. Tudo o que eu tinha a fazer era acionar um botão vermelho, no momento em que a pianista meneasse a cabeça. Com isso fiquei num estado catatônico de tensão e nem pude escutar Melodia Imortal. Ninguém pode imaginar o que um pedido desse tipo pode causar em mim. Jobim também não gosta de gravadores e encara isso como uma deficiência de caráter, desprezo pela moderna tecnologia. Se estivesse morando nos Estados Unidos usaria, como os executivos de lá, um microfone na lapela, lembrando a secretária de marcar um almoço com outro executivo. Só que se ele usasse um microfone na lapela não falaria bobagem. | ||
| Seria prático passar para o gravador a música que entra no ouvido dele qualquer hora do dia ou da noite. A pé, de carro, de avião, na cama, na praia. Entra pura, limpa, cristalina. Com o gravador ele não precisaria levantar no meio da noite e ser obrigado a caçar na escuridão, a borracha, o lápis, o papel pautado. Nessa hora em que a música está martelando, senta ao piano e tenta descobrir o que fazer com ela. Pergunto se a música vem para o piano, para flauta, para orquestra. Ele responde meio ofendido que ela vem inteira, nota por nota. Nessa hora passa a música para a vida prática, porque composta esteve desde sempre na cabeça dele. Senta ao piano, todo o santo dia, por disciplina. É um processo mais ou menos simples. Como parto. Uns são solta-caroço e outros precisam de fórceps. No fundo, todas são queridas, assim como seus filhos. Não gosta mais de um do que do outro. Mas não pensem com isso que ele se considera uma pessoal musical. Acredita que existam outros com mais musicalidade do que ele. Vai avisando que hoje não é o mesmo Tom Jobim que fez Garota de Ipanema, muitos anos atrás. Para construir o Jobim de hoje é muito trabalhoso, não se faz da noite para o dia. Valeu ter feito Garota de Ipanema para o guarda de trânsito cantarolar antes de multá-lo. "Oi seu Tomzão, tudo bom aí?". Eu não tinha perguntas à queima roupa para fazer. Tinha muita curiosidade, mas queria ele à vontade, sem que eu o interrompesse com questões pretensamente inteligentes. Na verdade queria estar como o Caetano Veloso, na entrevista que Jobim deu no Canal Livre da Bandeirantes. Eu não tenho nada para perguntar, não. Vim aqui como noiva dele. Segurar o guarda-chuva, abrir a porta do carro. Admirar. Aliás a televisão brasileira é inenarrável. O programa cheio de fôlego, poderia ir até as quatro horas da manhã. Entrevistadores bons, excelente entrevistado, mas o tape estava acabando (a esta hora já foi apagado e reutilizado) e, sabe como é, o nosso patrocinador! Acredito que poucas pessoas ficassem com o aparelho sintonizado, é como disse um amigo simplório. O papo cifrado de Jobim com Caetano nessa entrevista é o exemplo máximo de hermetismo, para ele. É difícil dizer como eu vejo Tom Jobim. Ele não é impressionante por ser músico. Se fosse médico, seria incrível também. Considera-se um trabalhador incansável. Concorda mais ou menos comigo quando diz que pretende se dedicar à literatura. Pergunto se não é demais em uma encarnação só. Diz que não, que já foi bonito, jovem, atlético, saudável, está sendo músico e poderá ser escritor. Perguntou se eu tinha lido o texto da contracapa do LP "Urubu". Claro, seu Tom. | ||
| Falou com admiração da irmã Helena. Ela tem os olhos azuis que ele queria ter (e nem precisava) e é escritora premiada. O papo foi indo mole e eu louca para que o tempo parasse e a gente ficasse ali para sempre. Imobilizados, cobertos por uma teia prateada, em cera. Quando depois da destruição total, revolvessem os escombros, veriam um homem e uma mulher apaziguados, numa mesa de bar, um resto de peixe no prato. Meu irmão contou que foi visitá-lo para mostrar umas músicas. Chegando, reparou imediatamente nas mãos do maestro. Um dos dedos estava inteiramente enfaixado, coberto de gaze. Jobim foi escutando o jovem compositor até que arrancou a atadura, sentou ao piano e começou a tocar, daquele jeito que só ele toca. Meu irmão, espantado escutou. Fico com essa atadura para me prevenir dos chatos que esperam sempre que eu toque. Vamos ao caso do piano propriamente dito. Tom Jobim nasceu de uma mulher lindíssima, jovem que casou com o pai dele, muitos anos mais velho, poeta ciumentíssimo e diplomata. Um dia saiu de casa, abandonou a mulher e os filhos. Quando o menino tinha 8 anos viu a mãe triste e chorosa. Quase adivinhou o que era, ela confirmou. Seu pai morrera. O padrasto foi quem lhe deu o primeiro piano, que ele tocava num porão frio, sem luz. Mas ele não cresceu escutando Mozart ou congêneres. Começou a tocar para tirar o melhor partido do seu defeito físico. Quem começa a tocar piano muito cedo é porque tem algum problema de saúde. Uma criança sadia pula, brinca, joga, não fica num porão úmido tocando piano. | ||
| Ele cita mais dois pianistas como ele, Luizinho Eça e Sérgio Mendes. Nesse tempo de infância ele já morava em Ipanema, que não tinha sido ofendida pelo homem. Lá era um lugar bonito, o mar ainda era verde. Quando se andava na areia alva ela dançava e assobiava aos seus pés fazendo cuim, cuim, cuim. Hoje não é mais assim. Jobim é um ornitólogo e pescador dedicado, entende das coisas da natureza. Por isso eu levei aquele passarinho para ele. Quando começou a tocar, teve vários professores bons. Um deles disse que ele poderia ser um compositor, mas que não tinha condições de ser um concertista. Um concertista não teria a curiosidade de colocar o feltro sobre as teclas para descobrir o som que produziam. Enquanto conversávamos na Peixaria Rex, Tex, Sed Lex, eu não senti desapontamento nenhum. Senti pena de não o ter conhecido antes. Ele tem um jeito solto de falar sobre as coisas. Não é humildade ou modéstia, é um jeito característico de quem sabe das coisas. Suas frases têm a aparência daquelas que vêm para ficar. Como ao dizer que "O Brasil é de cabeça para baixo". Uma teoria extensa mas demorada para expormos agora. E isso não é por ele ser um mito não. | ||
| No Brasil só existem dois mitos, Roberto Carlos e Pelé, e o que eles dizem não se escreve. Não sendo um ídolo, tem dificuldade de entrar na TV Globo, de ser veiculado do Oiapoque ao Chuí. Me conta que já propôs coisas mirabolantes para o Boni (cruza de computador com ser humano). Jobim diz que Boni não gosta de artista, que se fosse apresentado à Carmem Miranda nem levantaria da cadeira macia da Vênus Platinada. Imaginei a conversa deles. Jobim aos 15 anos, recém formado, moreninho, algumas espinhas e o violino caro embaixo do braço, só queria uma chance, um estímulo. Boni, eficiente, sem tempo para dispor. O menino só queria tocar a música em que estava mais afiado, aquela com que prestou exame no Conservatório, índia teus cabelos, nos ombros caídos... A verdade é que Jobim transcende a TV Globo e "otras cositas más." Mesmo porque eu acho ele um gênio e isso é o suficiente agora. Não há silicone, computador ou mídia eletrônica que construa um ser humano. Os homens ainda são o que o coração deles sente. Mesmo porque não foi através do vídeo que eu descobri o homem e o músico excepcional. Estávamos comendo camarão, peixe. Bebendo caipirinha e cerveja. Eu fumava o costumeiro Galaxy e ele pediu os charutos mais caros ao garçom. Já se foi o tempo em que ele fumava cigarros, desbragadamente. Depois dos problemas circulatórios mudou para um charuto ou outro. A doença como sintoma de idade deve tê-lo incomodado muito e ele não quer falar nisso. Mas a gente percebe nas entrelinhas. Quando se refere à segunda mulher, mais nova que sua filha, com dentes perfeitos, cabelo farto, pele rija, ele está dizendo da juventude, que bateu asas e voou. | ||
| Fomos
interrompidos. Apareceu no cenário uma babá carregando um
menino pequeno pela mão. Ele queria, como toda criança,
de qualquer forma entrar no restaurante para ver o aquário. A babá
tenra, boazuda, ficou enquadrada na janela do restaurante. Atrás
dela o sol se pondo, as ondas na areia da praia, as gaivotas se despedindo.
Uma coisa quente no ar. Até esse instante se desvanecer Tom não
falou nada, esteve quieto, olhando em profundidade. Quando falou, apenas
disse: "Que moça bonita!" Com isso me animei a perguntar sobre
erotismo e criação. Contou que comentava isso com Vinícius
de Moraes. Cada menina que eu traço é um samba que eu não
faço. Parecia o velho Balzac. Diz que existem vários tipos
de músicas. De amar, de dançar, de guerrear, de exaltar
a pátria. Para o meu gosto, todas que ele faz são maravilhosas.
Não sei se o crítico Maurício Kubrusly (autor de
comentários impróprios sobre o disco "Urubu") concorda comigo,
mas a música "Você vai ver" do álbum "Terra Brasilis"
não parece ser para qualquer um. Ele não escuta rádio
porque só toca bum, bum, bum. Em casa escuta Villa-Lobos. Seu ídolo.
Houve uma época em que ele acreditava na cura completa. Medicina
cura, umbanda cura, análise cura, cirurgia cura. Lia até
bula de remédio. Hoje lê uns caras da pesada. Fernando Pessoa,
Krishnamurti, Blavatsky e todos os jornais. Considera-se uma pessoa mística,
acredita que exista alguma coisa do outro lado do riacho. Depois da morte
de Vinícius, com um cinzeiro na mão, falou no amigo e paft!
O cinzeiro partiu-se em dois. Tem explicação para isso?
Seus grandes amigos não são das músicas, são
das letras. Tarso de Castro que mora em São Paulo. Carlos Drummond
de Andrade que não sai mais de casa. Rubem Braga que mora em Petrópolis.
E Vinícius de Moraes. A empregada do amigo morto outro dia disse
que o patrão gostava tanto do "Seu" Tom. "Quando ele sabia que
o senhor vinha dizia: Vou tomar um banhinho gostosinho, pôr uma
roupinha limpinha que o Tonzinho vem aqui". Foi no dia em que ela contou
isso a ele que a filha de Vinícius e Tom foram buscar alguma lembrança
na casa do amigo morto. Podia ser uma abotoadura. Encontraram uma série
de Enciclopédias Britânicas, abandonadas, com traças.
Soube que, em cada casamento, Vinícius presenteava a noiva com
uma coleção. Na separação elas nunca lembravam
de levar nenhuma. Tom ganhou uma da filha de Vinícius e acha que
vai lhe ser de grande valia. Nesse tempo que me resta, como têm
dito ultimamente, posso consultá-la sobre passarinhos. Foram 10
anos de psicanálise que ajudaram a produzir mais. Indicou para
Chico Buarque que não fez questão. Acha que o processo de
auto-conhecimento vai mexer com o trabalho de criação. Tom
desistiu. Quero saber se tem um plano arrojado, de uma coisa não
realizada em música, uma sinfonia, eu arrisco. Distraído,
mordendo o charuto, responde. "Isso eu já fiz, minha filha, com
Billy Blanco, há muitos anos. A Sinfonia do Rio de Janeiro. Ficou
muito boa." Uma vez ele não encontrou gravadora aqui no Brasil
e foi por sua conta para a América produzir seu disco "Urubu".
Quando acabou de gravar a última faixa foi aplaudido de pé
pelos músicos. Foram os americanos instruídos e implicantes
que tiraram o chapéu para esse maestro. Daqui mesmo. Chamado pelo
avô positivista de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.
E eu queria
tanto ver o chinelo dele, a cama dele, o piano dele. |
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| publicado
no livro Meus Tesouros da Juventude, de Rita Ruschel Editora Summus |